Jonas Scherer

Misc

Mês: setembro, 2012

Cada um no Seu Sagrado.

by jonasscherer

Fotografia: Miquéias H. Mügge

Com os protestos religiosos e atentados terroristas dos últimos dias, – todos supostamente desencadeados pela divulgação do filme “Innocence of Muslims” – liberdade de expressão, religiosidade e tolerância formaram a pauta midiática sobre o tópico. O pesquisador e historiador Martin Norberto Dreher, cujo trabalho enfatiza os temas imigração e religião, ajuda a clarificar essa agenda. Tendo-se doutorado em história da igreja, na Alemanha, Martin apresenta um contexto mais amplo para a compreensão das relações entre religião, Oriente e Ocidente.

Entrevista conduzida por e-mail entre 20 e 22 de setembro de 2012.

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Jonas Scherer: O que é uma religião?

Martin: Muitos autores definem religião a partir do verbo “religar”. Após perda de relação com o “divino”, o ser humano busca reaproximar-se e “religar” sua relação com o divino. Pessoalmente, com outros estudiosos, verifico que religião começa com uma experiência numinosa (numen=sagrado), uma experiência com o sagrado. No cristianismo essa experiência é a descoberta de que Jesus ressuscitou, no judaísmo, a experiência feita por Moisés de que um arbusto (sarça) ardia sem se consumir. A partir dessa experiência com o sagrado, há observação acurada, cuidadosa em relação ao que aconteceu, feita pela pessoa que observou o “fenômeno”, o religioso. Religioso vem do verbo latino “religere”, cujo antônimo é “negligere”, que aponta para a pessoa negligente, a pessoa que não observa com cuidado. A religião é, pois, movimento que posteriormente se institucionaliza a partir de uma ou várias experiências religiosas, da qual se tiram consequencias. Da experiência de Moisés, surgiu a religião judaica; da experiência da ressurreição de Jesus, surge o cristianismo; da experiência de Maomé a partir da revelação do anjo, surge o islão…

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O Praça do Mercado de Capitais Brasileiro – II.

by jonasscherer

Fotografia do acervo pessoal de Gregório Antonini

Depois da entrevista do agente autônomo de investimentos C.R., que preferiu ficar anônimo, temendo represálias, é hora de se ter um rosto para a profissão. Gregório Antonini, gestor da sociedade de agentes autônomos de investimento Antonini Investimentos, responde a questões similares às elaboradas ao anônimo. Intermediador do mercado financeiro desde 2009, o financista complementa o posicionamento  da primeira parte de O Praça do Mercado de Capitais Brasileiro.

Entrevista conduzida por MSN em 12 de setembro de 2012.

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Jonas Scherer: Por que tu achas que o C.R. preferiu o anonimato?

Gregório: As pessoas que preferem o anonimato estão preocupadas com as informações que divulgam e com as opiniões que emitem. Eu não estou, tenho a consciência bem tranquila. Simples assim.

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O Praça do Mercado de Capitais Brasileiro.

by jonasscherer

Ilustração: Jonas Scherer

Desde o final de abril de 2008, quando o Brasil ganhou, pela primeira vez, o grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, uma legião de jovens profissionais foi ao mercado buscando a sofisticação e o status financeiro reputado ao operador de bolsa de valores. O agente autônomo de investimentos C. R. (iniciais fictícias) discorre abertamente sobre a profissão que desperta interesse entre aqueles que apreciam investimentos e dinheiro, abordando temas delicados, como a remuneração e as condições de trabalho dessa curiosa profissão.

Entrevista conduzida pessoalmente em 12 de setembro de 2012, em escritório de investimentos em Porto Alegre – RS.

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Jonas Scherer: Por que tu não queres te identificar ao público?

C.R.: Não me identifico porque isso seria muito ruim para minha carreira. Você sabe que o agente autônomo vive muito de aparência, de confiança, é como que um relações públicas do mercado financeiro. Nem pelos meus clientes, mas pelo mercado todo, que é bem pequeno aqui no Brasil.

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Jornalista – Fofoqueiro Profissional.

by jonasscherer

Fotografia: Jonas Scherer

A manifestação favorável do Senado à exigência de bacharelado para o exercício da profissão de jornalista, ao aprovar em 2º turno a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 33/09, em agosto, abriu rodada para os jogos de opiniões. Enquanto o debate sobre se o jornalista é mero fofoqueiro ou se é profissional versado nas técnicas e na doutrina do tratamento da informação noticiosa continua, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, José Maria Rodrigues Nunes, fala sobre a situação do jornalista hoje.

Entrevista conduzida pessoalmente em 31 de agosto de 2012, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, em Porto Alegre – RS.

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Jonas Scherer: O que é que um jornalista precisa saber para ser, de fato, jornalista?

Nunes: Eu sempre comento que o jornalista, ele tem que ter um conhecimento, acima de tudo, do que seja a profissão. E a profissão, para mim, ela começa no que diz respeito ao Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Isso é o início de tudo, porque, como bem diz o nosso código de ética, o exercício da profissão de jornalista é de natureza social, então, o nosso trabalho é a serviço da sociedade. Mas, infelizmente, no Brasil, hoje, boa parte dos jornalistas não conhece o nosso código de ética. Então, acho que, para ser um jornalista, primeiro tu tens que conhecer o código de ética da tua profissão.

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