O Praça do Mercado de Capitais Brasileiro – II.

por jonasscherer

Fotografia do acervo pessoal de Gregório Antonini

Depois da entrevista do agente autônomo de investimentos C.R., que preferiu ficar anônimo, temendo represálias, é hora de se ter um rosto para a profissão. Gregório Antonini, gestor da sociedade de agentes autônomos de investimento Antonini Investimentos, responde a questões similares às elaboradas ao anônimo. Intermediador do mercado financeiro desde 2009, o financista complementa o posicionamento  da primeira parte de O Praça do Mercado de Capitais Brasileiro.

Entrevista conduzida por MSN em 12 de setembro de 2012.

——————————————— 

 

Jonas Scherer: Por que tu achas que o C.R. preferiu o anonimato?

Gregório: As pessoas que preferem o anonimato estão preocupadas com as informações que divulgam e com as opiniões que emitem. Eu não estou, tenho a consciência bem tranquila. Simples assim.

Jonas Scherer: Tu ganhas quanto para ser agente autônomo de investimentos?

Gregório: Não tenho uma remuneração fixa, como é de conhecimento da maioria que trabalha com isso, mas, talvez, não o seja da grande minoria que apenas imagina o quanto ganhamos. Se focarmos nos números, eu diria que, em média, o salário de um assessor regular fica entre R$ 3,5 mil e R$ 5 mil.

Jonas Scherer: Mas tu deves ter conhecimento de quanto tu ganhas mensalmente em média…

Gregório: Eu sou um assessor regular. Pretendo me tornar um bom assessor até o final do ano e passar a ganhar mais de R$ 6 mil por mês.

Jonas Scherer: Dizem que é uma profissão muito lucrativa, além de glamourosa. Podemos afirmar que o agente autônomo, então, vive com um bom salário?

Gregório: Só é uma profissão lucrativa e glamourosa para quem souber administrar sua empresa a partir dos custos. Como dependemos de um organismo vivo, sujeito a emoções – sim, estamos falando do mercado financeiro – não posso começar meu mês achando que tenho receita garantida. Se eu achar que tenho, algum cliente pode estar sendo prejudicado. Só vive com bom salário quem respeita a saúde financeira dos seus clientes.

Jonas Scherer: Outro agente autônomo, que preferiu ficar no anonimato, mencionou custos extras que eventualmente poderia ter. O que tu dizes sobre isso?

Gregório: Obviamente existem custos extras. Telefone celular, contribuição para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os custos com deslocamento para visitas a clientes. Fora que, se você for dono do seu próprio escritório, terá custos ainda maiores. Eu diria que, se você é dono do seu próprio escritório e ganha menos de R$ 2 mil por mês, você está tendo grandes prejuízos.

Jonas Scherer: Como é que funciona o sistema de ganhos do agente autônomo?

Gregório: Os ganhos vêm das taxas cobradas para a execução de operações. Também ganhamos comissões quando novos produtos são lançados. Fora campanhas que a sua corretora possa fazer para premiar o seu esforço. Hoje, 70% da receita do meu escritório não vem de ganhos de corretagem. O ganho vem de produtos sobre os quais os clientes não pagam taxas para participar. É a receita mais saudável que existe.

Jonas Scherer: Que tipo de produtos?

Gregório: Fundos Imobiliários e debêntures, majoritariamente.

Jonas Scherer: Isso parece diminuir o conflito de interesses, diferentemente do que dizem acontecer no mercado de ações…

Gregório: O foco principal do nosso escritório é diminuir o conflito de interesses. Se um produto não é bom, não indicamos, mesmo com um incentivo maravilhoso. Queremos e precisamos construir vínculos duradouros. Favorecendo apenas o nosso lado, logo, logo estaremos quebrando.

Jonas Scherer: O C.R., nosso entrevistado anônimo sobre o tema, acredita que o agente autônomo é dependente das receitas auferidas em bolsa de valores. A tua opinião é diferente, por quê?

Gregório: Porque eu planejei a minha estrutura para trabalhar como agente autônomo para o resto da minha vida. Dessa forma, busco produtos que geram receitas recorrentes e permanentes. Quem trabalha dependendo apenas de corretagem em pouco tempo vai estar comprando apostilas de concurso público.

Jonas Scherer: Tu podes definir o que é um agente autônomo de investimentos?

Gregório: O trabalho de um agente autônomo de investimentos é captar clientes para uma instituição financeira e oferecer as operações sugeridas por essa instituição para seus clientes. Ele é proibido, por lei, de sugerir operações para seus clientes que não sejam as sugeridas pela área de análise da corretora para a qual trabalha.Também é crime gerenciar carteiras de clientes sem autorização prévia.

Jonas Scherer: E a questão do sangue e do estresse, relatada pelo C. R.?

Gregório: Não acredito nisso. Os clientes precisam estar preparados para os cenários, assim como o assessor. Quem se planeja, não sofre. Na primeira reunião com um cliente, a pergunta principal deve ser: “você acredita que, alocando seu capital dessa forma, estará tranquilo em qualquer circunstância de mercado?”, se o cliente disser “não”, é sua obrigação reorganizar a estratégia.

Jonas Scherer: Tem mais alguma coisa que tu gostarias de dizer?

Gregório: Não, acredito que contemplamos aspectos muito pertinentes. Minhas opiniões são objetivas, pois acredito no meu trabalho e na maneira como estamos tocando o barco.

Anúncios